Prestem atenção. Os tucanos e os demos estão usando a tática nazista de "repetir uma mentira até que ela vire uma verdade".

Trabalho de resgate de ossadas no Araguaia impressiona presidente da Ajufe

Extraído de: Associação dos Juízes Federais do Brasil - 05 de Outubro de 2009

O presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), observador independente dos trabalhos de localização dos corpos de desaparecidos na Guerrilha do Araguaia, visitou os pontos de escavação na última sexta-feira (02), a convite do ministro da Defesa, Nelson Jobim, em companhia dos membros do comitê interdisciplinar formado pelo governo federal, e voltou do local impressionado com o esforço que está sendo feito para o cumprimento da decisão da juíza federal Solange Salgado, da 1ª Vara da Justiça Federal em Brasília (DF), que determinou a localização dos restos mortais pela União.

O grupo visitou dois pontos de escavação: Mutuma e Fazenda Bacaba, no Pará. Até agora foram encontrados somente dois corpos, na região de Xambioá. A transformação da região pelo desmatamento é um dos maiores entraves para o êxito dos trabalhos. Os pontos de referência foram perdidos em razão da ocupação humana, com a construção de uma rodovia e a transformação da área de mata em pastagem. Segundo o presidente da Ajufe, o sobrevoo da região permite constatar que a área atualmente assemelha-se ao semi-árido nordestino, com pequenos clarões de mata.

O trabalho é feito com o auxílio de gente simples - como mateiros e moradores da região - e também por profissionais altamente qualificados, como arqueólogos e antropólogos forenses de diversas universidades do País, além de peritos da Polícia Federal. O Exército limita-se a dar apoio logístico. Fernando Mattos contou que o trabalho de ouvidoria feito pelo Estado do Pará tem resgatado informações que estão sendo usadas na orientação das escavações e também na recomposição histórica do conflito.

As informações repassadas pelo Exército também são vitais para o êxito do trabalho, mas, na avaliação do presidente da Ajufe, é necessário que não haja limite ou receio nesta cooperação, que deve estar imune a qualquer vestígio de revanchismo. "É preciso superar divergências do passado em busca do objetivo maior que é entregar a essas famílias o que elas esperam há tanto tempo", afirmou Fernando Mattos. Para ele, o que se espera agora é que os militares que tenham participado daqueles acontecimentos, principalmente da denominada "Operação Limpeza" (1973/74), colaborem com informações que permitam resultados mais concretos nas escavações do próximo ano.

A informação de que as escavações prosseguirão em 2010 foi confirmada durante a visita pelo ministro da defesa, Nelson Jobim. Depois de visitar a área, o ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo de Tarso Vannuchi, reconheceu que o trabalho assemelha-se ao de quem busca "uma agulha num palheiro". Antes das escavações, é feito um trabalho de georeferenciamento do local, para fixar o ponto exato das buscas. Em seguida, um radar de penetração no solo (equipamento que mostra anomalias magnéticas a até três metros de profundidade) indica onde há objeto enterrado. Até o momento, todos os pontos escavados revelaram que as anomalias eram nada mais que pedras, raízes ou buracos naturais.

A escavação é feita inicialmente com pás, picaretas e enxadas por funcionários contratados, até o ponto próximo da profundidade indicada pelo radar. Em seguida, um antropólogo forense completa a escavação cuidadosamente, com uma pequena pá de jardinagem, para não danificar um eventual objeto. Até o momento, já foram mapeados 24.300 m², ou uma linha de 60 km contínua (ele é arrastado sobre o solo, como se faz com um cortador de grama). As pesquisas levaram a 36 alvos em 14 áreas diferentes. Os trabalhos de campo deverão ser encerrados no fim de outubro, quando se inicia o período de chuvas.

A campanha 2.0 ainda está longe

Autor(es): RICARDO MENDONÇA
Época - 20/09/2009
O Congresso liberou a internet para 2010. Mas ainda há limitações para que a rede alcance a mesma influência que teve na eleição dos EUA
Ailton de Freitas
DEBATE A JATO

Deputados discutem a reforma eleitoral na mesa da Câmara, em Brasília. A aprovação foi uma das mais rápidas do ano

Em votações rápidas, a Câmara e o Senado aprovaram uma minirreforma eleitoral para 2010. Não foi desta vez que o Congresso debateu os grandes temas políticos, como voto em lista e financiamento público de campanha. Mas há novidades, principalmente sobre o uso da internet. As principais são:

  • ao contrário de 2008, quando os políticos só podiam fazer campanha por meio de suas páginas oficiais, foi liberada a campanha em sites, blogs, redes sociais e e-mail. No caso de debates, porém, há restrições. Eles só poderão ser feitos se todos os candidatos de partidos com representação na Câmara forem convidados;
  • pela primeira vez, eleitores poderão fazer doações às campanhas por meio da internet. Quem quiser contribuir deverá usar cartão de crédito;
  • na eleição para presidente, o eleitor poderá votar “em trânsito”, fora da zona eleitoral onde está inscrito. Para isso, a Justiça vai instalar cabines especiais nas capitais dos Estados;
  • a partir de 2014, a urna eletrônica terá uma impressora acoplada. Cada voto será impresso e depositado numa caixa, sem o manuseio do eleitor. Após a eleição, a Justiça fará uma checagem em 2% das urnas. Os votos impressos precisarão coincidir com aqueles apurados eletronicamente.

Duas propostas polêmicas criadas no Senado acabaram derrubadas na Câmara. Uma era a exigência de que os institutos de pesquisa sigam a metodologia do IBGE. A norma era considerada vaga e descabida pelos especialistas, pois os institutos já levam em consideração a base de dados do IBGE em seus levantamentos. Além disso, o órgão não oferece todas as informações indispensáveis para pesquisas de opinião.

A segunda ideia polêmica que não prosperou era a exigência de “idoneidade moral e reputação ilibada” para a inscrição de candidaturas. A proposta era do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que pretendia vetar candidatos com problemas judiciais. “Essa posição é ridícula. Esse artigo não pode ser levado a sério porque não tem nenhuma base objetiva”, disse o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP). Seus colegas concordaram.

De todos os temas, os que deverão causar mais impacto são os que tratam da internet. No Senado, duas comissões chegaram a aprovar para a internet regras idênticas às que regulam a campanha política na TV e no rádio. No final, prevaleceram normas mais liberais. Esse espírito foi inspirado no bem-sucedido uso da internet por Barack Obama na eleição americana de 2008. Calcula-se que a campanha de Obama tenha disparado mais de 1 bilhão de mensagens para 13 milhões de e-mails cadastrados. Torpedos eram enviados para mais de 1 milhão de assinantes. No YouTube, foram postados 1.800 vídeos, vistos mais de 100 milhões de vezes. Obama também arrecadou US$ 500 milhões pela web. Cerca de 3 milhões de eleitores fizeram 6,5 milhões de doações individuais com valores abaixo de US$ 200.

Esses números impressionam políticos e marqueteiros brasileiros. Na semana passada, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), participou de uma reunião com Ben Self, um dos estrategistas da campanha de Obama na rede. Self estava acompanhado do marqueteiro João Santana, responsável pela campanha de Lula em 2006. Outra estrela da campanha de Obama é Peter Giangreco, responsável pelo marketing direto. Self e Giangreco participarão de um seminário sobre o tema em São Paulo.

Ninguém discorda que a minirreforma brasileira terá impacto na eleição. Mas há chance de ocorrer no Brasil algo parecido com o que ocorreu nos EUA? De acordo com os profissionais que estudam o assunto, não. Primeiro, porque a parcela da população que tem acesso à rede no Brasil é pequena se comparada com a americana. Segundo, porque o perfil dos usuários e eleitores também é diferente. “Tratamos eleição como obrigação”, diz o empresário Antonio Graeff, fundador de uma agência digital e autor de um livro sobre o uso da internet em eleições. “Nunca houve impedimento para doações de pessoas físicas, mas elas sempre foram baixas. É um erro imaginar que só a possibilidade de doar pela internet vai mudar esse quadro.”

A cientista política Alessandra Aldé, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), concorda. “O internauta brasileiro passa muitas horas navegando, mas a maior parte do tempo é para uso recreativo”, diz. “Em países desenvolvidos, a navegação em sites informativos é maior.” Segundo ela, os comportamentos que podem causar mais impacto no Brasil são outros: “Um é o esforço de blogueiros em influenciar o noticiário e a agenda da eleição. O outro é o hábito de reencaminhar informações recebidas por e-mail”. Só que, muitas vezes, essas mensagens são falsas, ofensivas ou sem fonte confiável.

Aprovação pessoal de Lula sobe para 81%, diz pesquisa CNI/Ibope

22/09/09 - 11h33 - Atualizado em 22/09/09 - 11h55

Aprovação pessoal de Lula sobe para 81%, diz pesquisa CNI/Ibope

Índice é um ponto percentual maior que o registrado em junho.
Variação fica dentro da margem de erro, de 2 pontos percentuais.

Diego Abreu Do G1, em Brasília

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A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu para de 81%, segundo a pesquisa CNI/Ibope, divulgada nesta terça-feira (22). Em junho, quando foi realizado o último levantamento, a avaliação do presidente da República era de 80%. A variação fica dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 2 pontos percentuais.

Os dados mostram também que 69% dos brasileiros consideram o governo Lula ótimo ou bom, contra 68% na pesquisa de junho. Outros 22% consideram o governo regular e 9%, ruim ou péssimo.

A pesquisa foi realizada de 11 a 14 de setembro, com 2.002 entrevistados em 142 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.

Para o diretor de relações institucionais da CNI, Marco Antonio Guarita, a principal mensagem verificada na pesquisa é a de “melhora na percepção da sociedade sobre a recuperação da economima”. “Se mantêm bastante elevadas as avaliações do governo e do presidente Lula, que permanecem altas, com oscilações dentro da margem de erro”, avaliou.

A nota média que o governo Lula recebeu em agosto cresceu um décimo em relação a junho, atingindo a marca de 7,6, em uma escala de zero a dez. Dentre os entrevistados, 76% disseram confiar no presidente Lula, mesmo patamar verificado no último levantamento.

Já na comparação entre o primeiro e o segundo mandato de Lula, 44% da população considera a atual gestão melhor. Outros 40% acham que a atuação do presidente em ambos os mandatos se mantém igual, enquanto 14% dizem que o segundo mandato é pior.

Em todas as nove áreas pesquisadas, o governo Lula registrou melhoria na aprovação. No combate à fome e à pobreza, a aprovação chegou a 68%, oito pontos percentuais a mais que em junho. Já no combate ao desemprego, 55% avaliaram que a atuação do governo é eficaz, contra 50% na última pesquisa.

Os outros índices de aprovação do governo são de 55% em relação ao combate à inflação, 42% na área de segurança pública, 45% quanto à taxa de juros, 40% em relação aos impostos, 61% na gestão do meio ambiente, 44% sobre a atuação na área de saúde e 59% na gestão educacional.

“Esse clima de otimismo com o ambiente econômico certamente tem impacto nas avaliações setoriais, que mostram melhora na atuação do governo, em relação a várias áreas, como no combate ao desemprego”, destacou Marco Antonio Guarita.

Serra assina documento de apoio a Yeda Crusius‏

O Mais Honesto de Todos os Homens, o Presidente de Nascença José Serra, assinou documento de apoio e solidariedade à cleptogovernadora do RS, Yeda Crusius. Defendendo a corretíssima correligionária cleptotucana, ao lado do Grande Economista dos Trópicos estão as assinaturas de Sérgio Guerra (presidente do PSDB), o réu confesso de uso privado de recursos públicos senador Artur Virgílio Neto (PSDB-AM), os governadores tucanos de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), Minas (Aécio Neves) e Roraima (José de Anchieta Jr) e o deputado ex-petista José Aníbal (PSDB).

Comentário da Tia Carmela: Isso de solidariedade nunca foi o forte do Zezinho. Quando era criança, lá na Móoca, quando algum coleguinha levava uma coça por ter feito arte, ele sempre saía cantarolando: “bem-feito! bem-feito!”.

Leia a matéria no blogpetrobrax.blogspot.com/2009/09/bem-feito-bem-feito.html
O Ministério Público pode e deve intervir nas privatizações do serviço de transporte no Rio de Janeiro. É uma calamidade! O METRÔ faz o que quer!

Moody's atribui grau de investimento para a economia brasileira

22/09/09 - 16h54 - Atualizado em 22/09/09 - 17h10

Moody's atribui grau de investimento para a economia brasileira

Decisão da empresa de risco de crédito saiu nesta terça-feira (22).
Outras grandes agências internacionais já haviam dado a nota ao país.

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  • A agência internacional de classificação de risco Moody's atribiu nesta terça-feira (22) o grau de investimento à economia brasileira. Era a última agência internacional que faltava dar tal reconhecimento ao país. Standard & Poor's e Fitch já haviam atribuído a nota ao Brasil no ano passado.

O grau de investimento, na prática, é uma recomendação para que os investidores coloquem mais recursos no país. A avaliação feita pelas agências considera as condições fiscais (das contas públicas) e as contas externas, além do marco regulatório e condições políticas, entre outros fatores.

A nota subiu de "Ba1" para "Baa3", primeiro estágio do grau de investimento, com perspectiva positiva para futuras revisões. A elevação já havia sido antecipada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, no mês passado. Ele afirmou, no fim de agosto, que a nova classificação da economia brasileira sairia em setembro.

Em julho, a própria agência Moody's afirma afirmado que o Brasil já estava apto para receber a primeira concessão da nota de investimento desde o início da crise financeira internacional, no ano passado.

Comentários

"A elevação reflete o reconhecimento pela Moody's de que a capacidade de absorção de choques, incluindo a capacidade de resposta das autoridades, aponta para uma melhora significativa do perfil de crédito soberano do Brasil", segundo comunicado assinado por Mauro Leos, executivo da Moody's para a América Latina.

Para a agência, o Brasil exibe "evidências de robusta flexibilidade econômica e financeira". Segundo a nota da empresa, o país passou por uma recessão relativamente curta, que pouco afetou suas reservas, e também mostrou apenas uma deterioração moderada em indicadores como dívida do governo.

Ainda que a economia apresente crescimento negativo do PIB em 2009 e que haja alguma deterioração sobre os anos anteriores, Leos avalia que o desempenho geral do Brasil provou ser melhor do que a maioria dos países classificados como grau de investimento na categoria "Baa".

'Vencedor'

"Estas características sugerem que o Brasil é um “vencedor” se comparado aos outros países globalmente integrados classificados pela Moody’s", informa o texto, lembrando que, mesmo durante da crise, houve "ausência de estresse financeiro no sistema bancário".

“A notável melhora apresentada na estrutura de dívida do governo foi um fator importante para a elevação do rating,” diz o comunicado. “Menores riscos de crédito soberano foram um resultado direto de uma exposição reduzida aos riscos de taxas de juros e cambio no balanço do governo.”

O Globo, Jornal de oposição ao governo LULA

Com a manchete do dia 12 de setembro onde chama o Presidente de LULA XlV, fica claro que a intenção deste jornal é DESQUALIFICAR o Presidente, é criar uma imagem desrespeitosa de LULA, para DEFINITIVAMENTE eleger alguém do PSDB/PFL. É muito clara, em várias abordagens feitas nas páginas do jornal, a intenção de se colocar na OPOSIÇÃO ao governo e a seu presidente. O mesmo vem fazendo com a candidata de LULA, a Ministra Dilma Roussef.
Só não tem coragem de assumir isto definitivamente, pois a popularidade de LULA não cai. A última pesquisa do SENSUS, foi mostrada na décima página e, na verdade, não há queda nenhuma, pois os números estão dentro da margem de erro. LULA só cresce. Mas basta ler seus boxes dentro do jornal e seus editoriais para que percebamos que eles não suportariam mais quatro anos de governo do PT. Embora alguns colunistas não sigam a "cartilha" dos marinho, o jornal é CLARAMENTE DE OPOSIÇÃO. A manchete de hoje é VERGONHOSAMENTE detratora do residente LULA. Temos que denunciar isto, de hoje em diante.
Paulo Morani

OAB lança na Internet campanha em prol de atos de democracia participativa

Extraído de: OAB - Piauí - 03 de Setembro de 2009

A campanha pretende receber o apoio da sociedade aos seguintes projetos: a Proposta de Emenda Constitucional 073/05, que trata do recall (possibilidade de revogação de mandatos do chefe do Executivo e dos parlamentares que não atenderem às expectativas do povo); o PLS 001/06, que altera o artigo 14 da Constituição para assegurar ao povo brasileiro o poder de tomar decisões diretamente, em plebiscitos e referendos; e o PL 6.997/06, que abre ao cidadão a possibilidade de ingressar com ação civil pública contra o responsável por atos de improbidade administrativa.

OAB lança na Internet campanha em prol de atos de democracia participativa

Participe da Campanha : http://deolhonobrasil.oab.org.br/

Contatos com a imprensa: oabimprensa@gmail.com

TRF ordena reabertura de ação sobre crimes da ditadura

Extraído de: Estadão - 15 de Setembro de 2009

SÃO PAULO - O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) determinou ontem a reabertura de ação do Ministério Público Federal (MPF) sobre os crimes da ditadura, por achar "precipitada" a decisão da juíza que extinguiu o processo. A União Federal e o Estado de São Paulo também figuram na ação, por omissão no caso.

De acordo com o MPF, a quinta Turma do TRF-3 anulou a decisão em primeiro grau da Justiça, que extinguia a ação civil pública proposta pelo MPF, e determinou a reabertura do processo que pede a declaração de responsabilidade por violação aos direitos humanos de sete servidores públicos do Estado de São Paulo que participaram da prisão ilícita, tortura e morte do operário Manoel Fiel Filho.

A decisão atendeu aos pedidos da Procuradoria da República em São Paulo e o mérito da ação deverá ser analisado e julgado na primeira instância da Justiça Federal. O principal argumento para anular a sentença da 11ª Vara Cível de São Paulo foi a da "precocidade" da decisão diante da complexidade da matéria.

"Com velocidade impressionante a Justiça federal abortou precocemente a ação", defendeu, na sessão, o procurador regional da República Marlon Alberto Weichert, destacando que relegar ao esquecimento os crimes cometidos durante o período de exceção contraria recentes decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

"O MPF afasta com veemência a afirmação na sentença de que o caso seria de pouca relevância", prosseguiu Weichert, lembrando que a família de Fiel Filho entrou com ação na Justiça logo após sua morte e obteve, à época, a confirmação de que a prisão fora ilegal, de que o operário sofrera tortura nas dependências do DOI-CODI e de que a versão de suicídio fora forjada pelos agentes públicos.

A ação do MPF foi proposta em março deste ano, e, além da declaração judicial da responsabilidade pessoal dos réus pela perpetração das violações aos direitos humanos, pedia a condenação desses agentes à reparação aos gastos da União com indenizações aos parentes da vítima, estimados em R$ 438 mil, além da perda das funções e cargos públicos e a cassação dos benefícios de aposentadoria.

Responsabilidade

O MPF também requeria a declaração de responsabilidade da União Federal e do Estado de São Paulo pela omissão no caso, com a exigência da adoção de medidas de preservação da memória. Manoel Fiel Filho era metalúrgico e foi preso na fábrica em que trabalhava, em São Paulo, em 16 de janeiro de 1976. Os agentes que o detiveram não possuíam mandado de prisão. Sua casa foi alvo de buscas e apreensões, também sem autorização legal. Levado à sede do DOI-CODI, no Paraíso, testemunhos apontam que foi torturado e morreu em virtude da violência sofrida. Na versão oficial da época, Fiel Filho teria se enforcado com um par de meias.

Autor: SOLANGE SPIGLIATTI - Agencia Estado

MPF quer que governo do Acre retire estrela vermelha de helicóptero


Ah! Eles estão descontrolados!

Extraído de: Correio Forense - 20 horas atrás

O Ministério Público Federal recomendou ao governo do Acre que retire uma estrela vermelha do helicóptero que começará a ser usado na próxima segunda-feira (7) em ações de segurança pública. Segundo o procurador da República Ricardo Gralha Massia, diz que a estrela deve ser retirada ou, pelo menos, reduzida à mesma proporção que possui na bandeira do estado.

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O MPF entende que os bens públicos do Acre são usados para promover o grupo político petista, que dirige o estado. "Não há nenhum caráter educativo, informativo ou de orientação social na pintura, senão o favorecimento do Partido dos Trabalhadores (PT) perante a coletividade, ao lhe vincular os feitos da Administração Estadual, prática proibida no nosso sistema jurídico", diz comunicado da Procuradoria da República no estado.

O governo federal entregou a aeronave em Brasília, numa solenidade no final de agosto, com a presença do governador Binho Marques (PT) , do ex-governador Jorge Viana (PT) e do senador Tião Viana (PT-AC). Em resposta à recomendação, o governo local disse que vai manter a estrela do mesmo jeito que foi desenhada.

"Longe de simbolizar qualquer favorecimento partidário, como sugere a imaginação do imparcial procurador, a estrela vermelha foi adotada desde 1899, como parte da bandeira verde-amarelo do Estado Independente do Acre, instituído pelo espanhol Luiz Galvez Rodrigues de Arias", diz comunicado do governo acreano.

O MPF respondeu à nota e criticou a reclamação contra o ataque à "imagem pessoal" dos procuradores. Em nota, o Ministério Público aproveitou para lembrar que, desde março deste ano, investiga outros "possíveis abusos cometidos na desfiguração dos símbolos oficiais à guisa de publicidade do grupo político que dirige o Estado".

Comissão geral na Câmara analisa redução da jornada

Câmara debate PEC que reduz jornada de trabalho


Autor(es): Lu Aiko Otta
24/08/2009
Patrões e empregados vão disputar um clássico esta semana. Está marcada para amanhã uma ampla reunião, na Câmara dos Deputados, para discutir uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho das atuais 44 para 40 horas semanais, com manutenção do salário. A mesma proposta eleva de 50% para 75% o adicional a ser pago pela hora extra.

Dada a delicadeza do tema, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), decidiu promover uma comissão geral. Nela, especialistas contra e a favor da proposta darão explicações ao conjunto dos deputados para melhor prepará-los para a votação.

Por enquanto, o placar está a favor dos sindicalistas. No dia 30 de junho, a comissão especial que examina a PEC aprovou o relatório do deputado Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT-SP), a favor da proposta. A mudança contou com amplo apoio da base governista no Congresso, mas ainda resta um caminho longo.

Para entrar em vigor, ela precisa ser aprovada na Câmara e no Senado, em dois turnos de votação em cada Casa, com três quintos dos votos a favor.

Deter o avanço da proposta de emenda é, porém, um "tremendo desafio", segundo reconheceu o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE). "Essa é uma matéria sensível do ponto de vista político e tem apelo do ponto de vista eleitoral. É um tema sujeito a muita demagogia, mas é preciso resistir a ela."

PRODUTIVIDADE

Para os sindicalistas, a redução da jornada de trabalho só tem vantagens: geraria 2,5 milhões de novos empregos, segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O impacto sobre os custos das empresas seria de 1,99%, segundo a mesma fonte.

As empresas tiveram aumento de produtividade de 113% nos últimos dez anos, disse Vicentinho, para demonstrar que elas são capazes de absorver o aumento nas despesas. "Além do mais, o trabalhador mais feliz produz mais e teremos redução dos acidentes de trabalho, pois eles normalmente ocorrem no final da jornada."

"O aumento do número de empregos é uma falácia", rebateu Monteiro Neto. Ele estima que os custos de produção aumentarão algo como 10% com a redução da jornada. O impacto será forte sobretudo nas pequenas e médias empresas. "A tendência é aumentar a informalidade", disse. As grandes empresas poderão investir em mais automação. "Não digo que haverá desemprego, mas esse é um risco real."

É possível que ambos os lados estejam carregando nas tintas. Tanto os sindicalistas quanto patrões admitem que, em grande parte da economia, a jornada de 40 horas já é adotada na prática. Ou seja, o impacto não seria tão forte nem no aumento de custos, nem na abertura de novas vagas.

"A maioria das montadoras já adota a jornada de 40 horas", disse Vicentinho. "A indústria farmacêutica também." Ele aponta esses dados como um sinal que o patronato estaria "rachado" na disputa. Armando Monteiro Neto nega. "Não conheço empresa que defenda a redução da jornada por lei, muito menos na Constituição."

QUINTO TURNO

O professor José Pastore, consultor da CNI, disse, em uma reunião da comissão especial que analisou a PEC, que a jornada média no Brasil hoje está em 40,4 horas. Segundo Monteiro Neto, o dado se refere às grandes empresas. Ainda assim, há impactos diferentes, conforme o setor. "A siderurgia, por exemplo, teria de adotar um quinto turno de trabalho", comentou.

A CNI, esclareceu Monteiro Neto , não é contrária à decisão das empresas de reduzir a jornada quando isso é negociado com o sindicato. Apenas acha que a regra não deveria estar "engessada" na Constituição. "Isso vai nivelar uma confecção, intensiva de mão de obra, ao setor intensivo de capital", ressaltou o presidente da CNI.

De fato, o empresário Marcio Franca, dono de uma pequena confecção em Brasília chamada Bazar Uniformes Profissionais, só prevê impactos negativos com a redução da jornada. "O aumento de emprego não vai acontecer", afirmou França.

A tendência, disse, é que as empresas de seu setor ampliem o uso do trabalho terceirizado. É possível também que os empregados sejam pressionados a produzir o mesmo que produzem agora, em menos tempo.

UOL esconde enquete em que PT é o partido mais sério

24/agosto/2009 17:40

Estava em uma página interna

Estava em uma página interna

O UOL não faria uma enquete para dizer que o PT é sério.

Mas, fez. E teve de escondê-la.

Colocou na página interna e o resultado é esse aqui (às 17h33):

Na sua opinião, qual é o partido político mais sério do Brasil? (da lista, em ordem alfabética, constam somente os partidos políticos com representação na Câmara dos Deputados)


(39,89%)

(21,01%)

(11,63%)

(10,17%)

(5,33%)

(3,62%)

(2,62%)

(2,32%)

(1,05%)

(1,04%)

(0,49%)

(0,28%)

(0,24%)

(0,08%)

(0,06%)

(0,04%)

(0,04%)

(0,04%)

(0,02%)

(0,02%)

(0,02%)
TOTAL DE VOTOS: 23356
Atenção: O resultado desta pesquisa não tem valor de amostragem científica.

Porque a Globo precisa derrubar LULA

O passarinho pousou na janela lá de casa e contou o seguinte:

No governo Fernando Henrique, 90% da verba publicitária do governo federal e das estatais iam para a Rede Globo.

No governo Lula, o ponto mais alto foi 70%.

No momento, a Globo fica com 52% da verba de publicidade do governo federal e das estatais.

Isso ainda é imerecido.

A Globo tem 50% da audiência e, portanto, o governo Lula deveria retirar dois pontos percentuais da verba hoje destinada à Rede Globo.

É por isso que as Organizações (?) Globo precisam desesperadamente derrubar o Presidente Lula e substitui-lo por um demo-tucano.

A fúria da Globo e do Ali Kamel se mede pela distância que vai entre 90% e 52%.

Paulo Henrique Amorim

Lula é o cara

*Marcelo Carneiro da Cunha - De São Paulo
É dura a vida de colunista e escritor. Não adianta eu falar, insistir, berrar aqui nesse espaço ou onde mais me deixarem à solta. Tem que vir o Obama pra dizer em alto e bom inglês que o Lula é o cara, Lula is the man, e aí sim, a imprensa repete aos milhões, o Fernando Henrique tem um choque anafilático de tanta inveja e todo mundo cai na real.

Isso não significa que eu não tenha críticas ao Lula ou ao partido. Minha relação com eles é mais ou menos a que eu mantenho com as mulheres: gostaria que fossem muito diferentes, mas, olhem só as alternativas! Vivemos em um mundo real, com defeitos reais, consequências infelizes da nossa humanidade.

Compreender esse mundo e governar para ele, tentando ao mesmo tempo torná-lo melhor, com direito a alguma quantidade de sonho, é o que diferencia um político competente de um estadista. E Lula é um estadista, o maior que já tivemos.

Eu acho que boa parte desse preconceito contra o Lula é preconceito mesmo, do ruim. Olhem o que eu ouvi ontem mesmo de uma moradora de um bairro nobre daqui. Ela explicou que não torce para o Corinthians, porque, afinal “tenho todos os meus dentes e conheço o meu pai”. Uffff.
Lula, por exemplo, que mal conheceu o pai, na infância, e não sei quanto aos dentes, mas sei quanto aos dedos, torce para o Corinthians. E eleger o Lula foi um momento sublime para os brasileiros porque ele representou a nossa aceitação de nós mesmos por nós mesmos, condição essencial para uma nação ser algo maior do que um mero país. Eleito, Lula nos libertou e o Brasil deu o salto que todos vivem, mesmo que não queiram ver.

Na América Latina, e eu leio a imprensa dos nossos vizinhos, Lula é idolatrado como um grande líder nacional, que ama seu povo e se dedica a defender os seus interesses, ao mesmo tempo em que tenta sinceramente ajudar e integrar os que nos rodeiam. Somos admirados por que passamos a nos levar a sério e deixamos de puxar o saco do primeiro mundo, como fazia o nosso pomposo FHC. Barramos espanhóis (inocentes, claro) na fronteira exigindo tratamento decente aos nossos viajantes que entram na Europa. Lula não tem medo de ninguém e exige estar no G-20, mas junto com o G-8, ou onde quer que se decida alguma coisa.

Lula ajudou Chávez a sobreviver e hoje o enche de elogios, enquanto sabota seus piores planos e ajuda o Brasil a vender e ganhar muito com a Venezuela. Garantiu o empate na quase guerra de araque entre Colômbia e Equador, fazendo o Brasil atuar como o líder que tem que ser. Lula abriu agências da Embrapa em países africanos, onde nossa biotecnologia tropical vai ajudar a combater a fome e criar uma agricultura moderna. Ele também decidiu que não vamos exportar petróleo do pré-sal, coisa de país atrasado, e sim derivados com alto valor agregado. Isso não é lá visão geopolítica e estratégica? Viajou aos países árabes, nunca antes assunto para nossos governantes e criou laços que hoje se transformam em comércio, bom para todos.

Aqui dentro, já que o Brasil também é assunto, manteve sim a política econômica anterior, mas lhe deu a direção social que faltava. E se alguém acha que isso foi coisa pouca, imaginem as pressões que Lula sofreu, às quais teve que resistir, enquanto a Argentina, aqui ao lado, experimentava heterodoxias com o Kirchner e crescia 10% ao ano. Imaginem o que foi para um ex-torneiro mecânico peitar toda a suposta elite econômica instalada nos principais veículos de comunicação, que tentavam dizer a ele para onde apontar o nariz e que aprendesse a obedecer ou o mundo iria cair, culpa dele. Quem resiste a tudo e segue firme no caminho em que acredita é um líder. L-Í-D-E-R. Acerta e erra, mas lidera.

O maior mérito do Brasil de hoje é nosso, do povo brasileiro. Fomos nós que soubemos mudar, acabar com o PFL, optar pelo moderno e, por isso, hoje nosso destino se divide entre dois partidos e projetos viáveis, PSDB e PT. Se os dois são viáveis, o PT é mais generoso, e por isso a minha escolha.
Provavelmente seguiremos crescendo e nos afirmando como nação moderna e emergente, capaz de alimentar a si e ao mundo, o que para mim já está uma beleza, obrigado. Mas, alguém aí ousa comparar o Lula a gente um tanto insípida, inodora e incolor, como Aécio, Serra e mesmo a Dilma? Vamos talvez seguir rumo à prosperidade, mas de um jeito tão mais sem graça. Vocês conseguem imaginar algum desses nomes acima fazendo a frase sobre “banqueiros brancos e de olhos azuis, que achavam que sabiam tudo de economia” que hoje é repetida no mundo inteiro?

Lula, para mim, representa o fim do enorme desperdício que nosso país sempre praticou, ao ignorar a humanidade e inteligência do seu povo, acusando-o de ser pouco escolarizado. Eu tenho o privilégio de, de tempos em tempos, encontrar com leitores de grupos de EJA (Educação de Jovens e Adultos), na prática turmas de pedreiros, domésticas, carpinteiros, eletricistas; gente que deixou a escola quando criança e voltou agora, para aprender, inclusive, a ler. E ser lido por essas pessoas é uma enorme honra para um escritor que gosta de ser lido. E eles leem como ninguém, minha gente. Com uma garra e encantamento de arrepiar. E raramente têm a chance de trazer essa visão absoluta do mundo, essa experiência toda a para vida do nosso país. Lula, prezados leitores, fez e faz exatamente isso.

Eu conheço meu ilustre pai, para o bem ou para o mal, tenho praticamente todos os dentes e certamente todos os dedos, o que me coloca em uma camada, digamos, privilegiada, no Brasil. Mas, mesmo que não seja exatamente a minha cara, Lula consegue ser a cara brasileira da minha alma, de tantas outras almas de nosso país e, por isso mesmo, ele é, tem sido e vai ser o cara. O Cara, a nossa cara.

Pelo que eu conheço do mundo, essa coluna vai atrair toda uma desgraceira pra cima desse colunista. Pois, muito bem, que venha. Esperar menos do que isso, estar menos preparado do que estou para combater o que vier, seria um desrespeito desse cidadão agradecido aqui, ao seu presidente, a quem tanto admiro e por quem tenho mais é que brigar mesmo. Podem vir, serão todos bem recebidos, e vamos em frente, nós e o Cara, fazer o debate e o país de que tanto precisamos.
Dizer “Esse é o cara” afirma a negritude do Obama e sua admiração por Lula. Vivemos melhor em um mundo assim, de aceitações, reconhecimentos, sinceridades. Se eles, que são políticos, podem, então a gente pode tudo, até mesmo torcer para o Corinthians, imagino, nesse admirável mundo novo que o século 21 nos traz.

Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista. Escreveu o argumento do curta-metragem “O Branco”, premiado em Berlim e outros importantes festivais. Entre outros, publicou o livro de contos “Simples” e o romance “O Nosso Juiz”, pela editora Record. Acaba de escrever o romance “Depois do Sexo”, que foi publicado em junho pela Record. Dois longas-metragens estão sendo produzidos a partir de seus romances “Insônia” e “Antes que o Mundo Acabe”.
Fale com Marcelo Carneiro da Cunha:
marceloccunha@terra.com.br

Crise ameaça o Senado com renovação recorde


Autor(es): Raquel Ulhôa e Yan Boechat
Valor Econômico - 27/08/2009

Os dividendos da crise que o Senado tentou sepultar na última semana com o arquivamento das denúncias no Conselho de Ética contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-PA), levam os 30 senadores que pretendem concorrer à reeleição em 2010 (ver quadro) a reavaliar suas estratégias eleitorais. Ao contrário de outras crises recentes na Casa, desta vez o Senado não ofereceu nenhum cadáver político à opinião pública. O temor de que a fatura da sucessão de escândalos seja cobrada nas urnas encontra respaldo nos altos índices de renovação da Casa nas últimas duas eleições, também precedidas por grandes crises.
As eleições de 2010 colocarão em disputa dois terços das 81 cadeiras de um Senado desmoralizado diante dos eleitores. Nas últimas duas eleições ao Senado, poucos foram os parlamentares que conseguiram manter seus cargos. Em 2002, logo após o escândalo da violação do painel eletrônico, protagonizado pelos então senadores Antonio Carlos Magalhães - falecido em 2007 - e José Roberto Arruda (DEM-DF) - hoje governador do Distrito Federal -, 40 das 54 vagas em disputa foram ocupadas por políticos estreantes - renovação de 74% da Casa). Quatro anos depois, quando 27 vagas estavam em disputa, a renovação chegou a 75%
Desta vez, a expectativa é de que o Senado tenha um dos maiores índices de renovação de sua história. "Será recorde, maior do que os mais de 70% das últimas eleições e o desfecho dessa crise será determinante para que isso ocorra", afirma Antônio Queiroz, assessor parlamentar do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, o Diap. Queiroz acredita que a reeleição dos senadores ainda dependerá de muitas variáveis, como as alianças estaduais, mas que, dessa vez, o desfecho da crise terá um papel fundamental. "A Casa ficou paralisada, o patrimonialismo muito exposto, mas o impacto não será homogêneo entre todos, dependerá muito do estilo de eleitor de cada um", afirma. Para Queiroz, o eleitor está mais exigente em relação aos candidatos e "já pagou o que tinha de dívida com os grandes caciques".
Segundo boletim do Diap, a renovação recorde do Senado, em eleição na qual estiveram em jogo dois terços das cadeiras, ocorreu em 1994: 84% das 54 vagas em disputa. Na avaliação feita pelo Diap à época, políticos profissionais, tradicionais e provincianos perderam espaço, reduzindo a pecha de "clientelista e fisiológica" da Casa.
Ao contrário das últimas crises, a atual não ofereceu à opinião pública um ajuste de contas, ainda que fugaz e frágil como aqueles que marcaram a história recente do Senado. O que se viu, de lá para cá, pode ser considerado retrocesso. Além das sucessivas crises, colabora para o desgaste o alto número de suplentes que exerceu o mandato na atual legislatura (mais de 20%, em alguns momentos), em caso de morte, renúncia ou licença do titular.
Em 2000, pela primeira vez em seus mais de 180 anos de história, a Casa cassou o mandato de um senador por quebra do decoro parlamentar. Luiz Estevão foi acusado de participar do esquema comandado pelo juiz Nicolau dos Santos Neto, que desviou cerca de R$ 170 milhões na construção da sede do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.
Durante a sessão que cassou Estevão, o placar eletrônico do plenário foi violado por ACM, então presidente da Casa, e pelo então senador tucano José Roberto Arruda. As disputas internas pela presidência do Senado tragaram o hoje deputado federal Jader Barbalho (PMDB-PA) para o turbilhão de escândalos que marcariam o Senado em 2001.
No fim, ACM, Jader e Arruda renunciaram aos mandatos para não evitar o risco de cassação. Hoje, Arruda e Estevão são governador e vice do Distrito Federal. ACM voltou ao Senado em 2002, e Jader buscou um mandato de deputado para reincorporar-se ao Congresso. Em 2007, foi a vez de Renan Calheiros, então presidente da Casa, se envolver em um escândalo por conta do pagamento de pensão de uma de suas filhas por uma construtora. Renan escapou da cassação do mandato, mas foi obrigado a renunciar à presidência.
Parlamentares excessivamente identificados com a crise, como o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), líder da bancada, é talvez o exemplo mais eloquente. Sua decisão de deixar a liderança, de acordo com ele irrevogável, foi revista menos de 24 horas depois do anúncio público, após uma "conversa franca" com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na sexta-feira, dia 21, Mercadante subiu à tribuna para anunciar que desistira de renunciar à liderança.
Setores do PT de São Paulo já falam em lançar a candidatura da ex-prefeita Marta Suplicy, que, tendo a militância a seu lado, poderia tirar votos de Mercadante. Romeu Tuma (PTB-SP) é o outro senador que encerra seu mandato agora e, segundo analistas, não deve ser reeleito. Como tem candidato forte a governador, o PSDB deve eleger senador.
Mercadante, acreditam analistas e mesmo correligionários, terá uma eleição dura. Situação bem distinta de Renan, que liderou o bloco parlamentar que defendeu Sarney e ficou conhecido como Tropa de Choque. "Para um candidato que tem um eleitorado mais homogêneo e concentrado, como o Renan, os impactos da crise não serão tão grandes", diz Alberto Almeida, diretor geral do Instituto Análise, que atua na área de pesquisas de mercado e opinião pública. "Na outra ponta, Mercadante deve sofrer mais".
Almeida, no entanto, minimiza os efeitos da crise sobre a reeleição dos senadores. Para ele, as alianças regionais e, principalmente, os candidatos a governador que estarão na mesma chapa, têm um peso maior. "O Senado é uma Casa meio nebulosa para a população, boa parte do eleitorado vota no senador por conta do candidato ao governo, por isso a campanha ao Senado tem o menor custo em relação ao volume de votos obtidos", diz.
O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que atuou ativamente pelo afastamento de José Sarney, concorda com Almeida, mas acredita que, desta vez, os impactos da crise serão sentidos por todos, independente das alianças. "O índice de renovação será altíssimo, será uma eleição muito dura", diz . Para ele, os problemas do Senado chegaram a um ponto de saturação inédito. "A crise atual é resultado de problemas antigos que não foram resolvidos no passado e a coisa chegou a um ponto insustentável, de descrença da população", afirma.

Eles querem acabar com LULA!

Eles querem acabar com LULA!
Daniel Dantas - FHC - Gilmar Mendes - Não necessariamente nesta ordem!

Homenagem do jornal O Globo ao golpe militar!

Durante a última semana de março, até dia 31, o jornal O Globo publicou uma série de reportagens sobre "supostos" arquivos do SNI que detonavam uma série de acusações contra Brizola. Todos os blogs se manifestaram, alguns condenando, outros ironizando. A pergunta que não quer calar é: Por que? E o que se viu na realidade foi uma HOMENAGEM AOS MILITARES E AO GOLPE DE 64.
O sistema globo deve muito aos militares. Era porta voz da ditadura (ou será "ditabranda" como quer a Folha). Era a rede Globo quem mais badalava as vantagens dos governos militares. Quem não se lembra do Cid Moreira falando que a poupança renderia 80% e escondia que a inflação comia tudo. Quem não se lembra de Ney Gonçalves Dias fazendo entrevistas com o general figueiredo (Ô NEY!). Portanto foi uma bela homenagem, disfarçada , mais foi, do grupo aos militares. Principalmente porque ataca a Brizola, inimigo figadal deles. Só faltaram dizer nos editoriais, MUITO OBRIGADO!
Paulo R Morani

11 de abril de 2009

O Itamaraty, as elites e o povo

Mauro Santayana
A diplomacia brasileira foi organizada às pressas, com a tarefa inicial de obter o reconhecimento internacional do novo Estado e de lhe assegurar os recursos necessários aos primeiros atos de autonomia. Apesar dessas dificuldades, e dos contratos leoninos que os banqueiros ingleses impuseram, seguimos, desde o princípio, uma linha necessária de ação: a de preservar a integridade nacional dentro do território histórico. E isso foi obtido – mediante as negociações diplomáticas e as armas – quando rechaçamos a presença paraguaia em Mato Grosso e participamos da luta contra Hitler, que pretendia ocupar todo o Sul do Brasil. É conhecida a preocupação, sobretudo de Rio Branco, em aliar, na escolha de nossos diplomatas, a inteligência à elegância e à aparência. O barão não admitia mestiços, e, antes de nomear alguém, fazia questão de convidar o candidato e sua mulher, para avaliar o futuro desempenho do casal. No tempo do Império, e durante grande parte da República, o recrutamento de nossos diplomatas se fazia entre as elites oligárquicas, rurais e burguesas. Esses grupos simplesmente ignoravam o povo, e tinham a ideia de que o território era propriedade de vasto clã familiar. Foi difícil a Rio Branco, por exemplo, preferir Ruy Barbosa a Joaquim Nabuco para a chefia da delegação brasileira à Conferência de Haia em 1907. Nabuco, que já fora embaixador em Washington, e era filho do conselheiro do Império, Nabuco de Araújo, tinha o aplomb aristocrático que agradava ao barão. Providencial surdez do pernambucano – lembrada em editorial do Correio da Manhã, pouco antes da escolha – obrigou-o a aceitar o baiano, de resto homem de origem modesta. A aristocracia de Rio Branco não o impediu de ser o competente defensor da soberania brasileira, em todas as questões fronteiriças e, sobretudo, em episódio pouco conhecido, o da Colônia do Descalvado, quando impediu que o Pantanal se tornasse uma espécie de Congo Belga. Pouco a pouco, com o amadurecer da República, jovens da classe média passaram a ingressar no Itamaraty, e já há, entre os mais recentes, filhos de trabalhadores. Não obstante isso, o Itamaraty, até há alguns anos, dava a impressão de representar apenas algumas parcelas da nacionalidade, embora houvesse exceções notáveis. Houve momentos em que homens da elite – como foram Affonso Arinos e Santiago Dantas – dirigentes do Itamaraty, da carreira ou não, procuraram representar o Brasil como ele é, e não como outros gostariam que fosse. Ressalte-se que, durante toda sua História, nossa diplomacia oscilou entre a defesa da soberania nacional de uns e a submissão de outros. O êxito do Itamaraty, nesses anos de Lula, é explicável. Houve, entre o presidente e a Secretaria de Estado, completo entendimento. Ainda no governo Itamar ocorreu um choque no Ministério do Exterior, quando o presidente anunciou o nome de José Aparecido para substituir o aristocrata Fernando Henrique. O próprio Fernando Henrique foi contra a indicação, embora, durante o regime militar, ninguém se opusesse a que o banqueiro monoglota Magalhães Pinto ocupasse o cargo. Aconselhado pelos seus médicos, Aparecido, que estava enfermo, declinou do convite, mas não abriu mão de indicar Celso Amorim para o lugar. Tanto naquele momento quanto nesses últimos anos, Amorim entendeu que nos devíamos unir aos povos que têm os nossos mesmos interesses. Talleyrand dizia aos jovens diplomatas que, surtout, pas trop de zéle. Amorim, ao empossar-se em 2003, como ministro de Lula, recomendou aos subordinados que não tivessem medo. Não tivessem medo de defender os interesses brasileiros no mundo, quaisquer fossem os interlocutores. Poderia ter sido mais claro e aconselhado a que não se inibissem naquele momento em que um operário assumia a Presidência da República. O Brasil, apesar de suas dificuldades, já deixou de ser o país do Carnaval. É uma nação moderna que volta a uma verdade simples: a prosperidade é tanto mais sólida quanto é mais bem distribuída. Por isso, o Brasil é hoje a ponte política entre o Ocidente e grandes países asiáticos, como a Índia e a China. E seus diplomatas – sob a chefia do ministro Celso Amorim e do secretário-geral Samuel Pinheiro Guimarães – podem dirigir-se ao mundo sem chocho deslumbramento e sem a submissão com que muitos agiram no passado recente.

7 de abril de 2009

A coroação de Lula no G-20


Uma imagem, às vezes, vale mais do que mil palavras.
Na foto oficial do encontro londrino do G-20, o grupo formado pelos oito países mais ricos do mundo e pelos emergentes de maior peso econômico, o presidente Lula foi colocado ao lado esquerdo da rainha Elizabeth. À direita dela, estava o primeiro- ministro inglês, Gordon Brown. E, atrás dos três, o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Como na diplomacia cada sinal é milimetricamente calculado, a foto foi feita sob medida para transmitir a ideia de uma nova ordem econômica mundial. Nela, os emergentes estão na dianteira, e não mais no banco de trás - além disso, neste grupo de países, o Brasil é hoje o que desperta maior admiração. Mas, se não bastasse a imagem, ela também veio acompanhada de calorosas palavras de elogio.
Quando Lula foi cumprimentar Obama, que conversava com o primeiro- ministro australiano, Kevin Rudd, o presidente americano disparou: "Ele é o cara! É o político mais popular sobre a face da Terra." E ainda brincou chamando Lula de "boa pinta". No encontro que selou o fim do G-8 e marcou a ascensão definitiva dos emergentes, Lula foi coroado. Com o cetro real, o presidente começou a sinalizar que o Brasil terá um papel cada vez mais ativo nos debates internacionais. Antes mesmo de chegar a Londres, Lula fez uma escala em Paris, onde se encontrou com Nicolas Sarkozy, e disse que o Brasil poderá ajudar a capitalizar o Fundo Monetário Internacional - uma mudança e tanto para um país que, até recentemente, era cliente contumaz e não credor do Fundo. Ao ser abordado, Lula não deu margem a questionamentos. "O Brasil assumiu responsabilidades maiores e não pode mais se comportar como um país pequeno", disse ele. Ponto final.
Dinheiro novo para enfrentar a crise foi também a mensagem central do encontro do G-20. Países ricos e em desenvolvimento se comprometeram a colocar mais US$ 1 trilhão no FMI, com duas finalidades prioritárias: ajudar as nações com problemas no balanço de pagamentos e financiar o comércio internacional. Os países do G-20 também aprovaram outras medidas importantes, como a decisão de gastar US$ 5 trilhões em estímulos fiscais para reforçar a criação de empregos - a alemã Angela Merkel, que era contra o aumento de gastos públicos, foi voto vencido. Outro ponto crucial foi o aumento da regulação financeira. Será criado um novo órgão, o Conselho de Estabilidade Financeira, que tentará detectar preventivamente focos de futuras crises. Além disso, os hedge funds serão fiscalizados, os bônus dos mercados de capitais serão contidos e haverá um controle maior sobre os paraísos fiscais - esta uma proposta que Lula defendeu enfaticamente.
Da cúpula do G-20, saíram tantas resoluções importantes que até mesmo os economistas mais céticos, como o Nobel Joseph Stiglitz, definiram o encontro como "histórico". "O mundo se reuniu e condenou enfaticamente a desregulamentação financeira", disse ele. Por aqui, houve um diagnóstico parecido. "A cúpula marcou a institucionalização da globalização", disse à DINHEIRO o economista Carlos Langoni, ex-presidente do BC e chefe do centro de estudos internacionais da FGV. Para o advogado Eduardo Felipe Matias, especialista em direito internacional, houve uma inédita convergência entre os interesses dos países ricos e das nações em desenvolvimento. "No desenho da nova arquitetura financeira internacional, o Brasil terá um peso muito relevante", disse ele.
Nos mercados financeiros, o consenso de Londres também provocou uma nova onda de euforia. Na quintafeira 2, a Bolsa de Valores de São Paulo disparou 4,96% e fechou na maior pontuação em seis meses. E isso não foi causado apenas pelo encontro do G-20. Nos Estados Unidos, as vendas de imóveis subiram 4,7% em fevereiro, depois de sete meses de queda. Na China, o índice de atividade industrial no mês de março sinalizou um crescimento maior. "São sinais de que se as coisas ainda não estão melhorando muito, ao menos pararam de piorar", avalia o economista Fernando Padovani, professor da ESPM-RJ. As previsões econômicas que foram servidas em Londres, no entanto, ainda apontam um cenário sombrio. O Banco Mundial projeta que a economia mundial cairá 1,7% em 2009 - se isso se confirmar, será o primeiro recuo em 60 anos. Os emergentes cresceriam apenas 2,1%. E o avanço do Brasil seria de módico 0,5%. Mas é bom que se diga que os prognósticos têm mudado a cada semana. E esses números também não batem com os sinais animadores que estão surgindo a cada dia na economia brasileira. No primeiro trimestre deste ano, as montadoras venderam 668 mil automóveis, o que representou uma alta de 3,14% em relação ao ano passado. E, para quem diz que só o mercado interno vai bem, os números do saldo comercial surpreenderam em março - o superávit cresceu 79% e chegou a US$ 1,8 bilhão. Mas talvez ainda seja prematuro apontar uma virada na crise internacional. No dia em que os líderes do G-20 se reuniam em Londres, empresas do porte da Renault e da IBM anunciaram grandes demissões.
Um relatório da OCDE previu uma queda do PIB global ainda mais dramática do que a do Banco Mundial, com um número negativo de 2,7%. E toda essa tensão alimentou os protestos do lado de fora do Palácio de Buckingham, onde 111 pessoas foram presas. Um homem de 35 anos morreu, depois de sofrer um ataque cardíaco em meio à multidão. O mundo se uniu em Londres, consagrou a liderança brasileira, mas a agenda para superar a crise ainda é bem extensa.

O encontro de Londres marcou de vez a ascensão do Brasil na cena internacional - e isso simboliza também a tomada de poder pelos emergentes

Privatização de serviços essenciais. UMA VERGONHA!

O que acaba de acontecer nas barcas e nos trens do Rio de Janeiro mostra claramente que serviços essenciais NÃO PODEM FICAR NA MÃO DE TERCEIROS.
Aí está a forma como eles lidam com o povo.
As barcas ainda vão "ganhar" do estado 8 milhões de reais. Assim qualquer um administra. São irresponsáveis e enganam o povo com "maquiagens".
Nos trens o diretor diz que "não sabia que os seguranças agiam assim". Faça o favor de ser cínico em outro lugar, aqui não. O carioca precisa reagir.
E ainda há o metrô, que fez maquiagens nos trens e quer fidelizar o usuário à força, vendendo o bilhete único com validade de 48 horas, ou seja, OBRIGA o usuário a comprar os bilhetes de valor alto. Quer fidelizar pelo preço e não dá NENHUMA VANTAGEM.
Não fez uma obra de mudança. Só conservação, que é OBRIGAÇÃO. Não há uma escada rolante nova em lugares em que seriam necessárias. Desativaram o banheiro da estação Siqueira Campos (é obrigatório ter banheiros).
E por fim os ônibus. Fazem o que querem. Não dão satisfação a ninguém. Tiram e põe ônibus a hora que querem e onde querem. Não há fiscalização.
E nada acontece a esses senhores. Não há a quem reclamar e se você reclama eles montam "uma sindicancia" que não leva a nada.
SOLUÇÃO
Reprivatização, ou no mínimo, maior participação do estado na administração. Se vai dar 8 milhões as barcas, TEM QUE HAVER TRANSPARÊNCIA NAS PRESTAÇÕES DE CONTAS.
Tem que abrir a caixa preta que foram essas privatizações.
Falta VONTADE POLÍTICA E CORAGEM!!!!!!
Paulo R Morani

No último domingo o globo fezuma reportagem sobre os transportes. Superficial, não questiona muito, mas denuncia que OS CONTRATOS NÃO ESTÃO SENDO CUMPRIDOS.
Alô Ministério Público, é hora de intervir!!!!!!!

Alternativa para o povo

Mauro Santayana
Dois textos divulgados na última sexta-feira merecem reflexão no início deste outono instável. O primeiro reproduz entrevista de João Pedro Stédile à Radiobrás; o segundo é um artigo de Eric Hobsbawm publicado pelo Guardian, da Grã-Bretanha. Hobsbawm volta a uma proposta muito antiga, já discutida nos anos 30, quando a direita e a esquerda se confrontavam no mundo inteiro: a de uma terceira saída. Na Alemanha, a direita facínora estava em ascensão; na União Soviética, o stalinismo se impunha. Nos Estados Unidos, Roosevelt salvava o capitalismo com o New Deal, mas não abandonava a teologia do Destino Manifesto, esse evangelho do imperialismo norte-americano. O escritor afirma que não basta “brecar”, moral e economicamente, o neoliberalismo. O desenvolvimento deve ser um meio, e não um fim em si mesmo. Ele deve garantir a vida e a felicidade de todas as pessoas. Nos anos 30 havia a crise econômica – muito semelhante à atual. Paul Krugman – também neste fim de semana – registra que, naquele tempo, a recessão não foi tão universal quanto agora, porque a URSS era independente do mercado mundial e, assim, pôde, mediante a força do Estado, manter a crise fora de suas fronteiras. Hobsbawm não fala em remendos: propõe que se estude nova e corajosa forma de colocar a economia realmente a serviço do povo. O pensador inglês, nascido em Alexandria, fala sobre o mundo – e, no mundo, também estamos – enquanto Stédile trata especificamente da situação nacional. É quase certo que as ideias do dirigente do MST serão recebidas com muxoxos pelos sábios da economia e cientistas da política. Ele não se vale de esquemas acadêmicos, mas examina os fatos e as ideias com a experiência de militante. Em sua opinião, o governo deveria promover a imediata estatização dos bancos, abandonar a obsessão pelo superávit fiscal e buscar o pleno emprego. Ele teme que o governo aja da forma tradicional, dando mais dinheiro para os ricos, que sairão ainda mais ricos do processo. Os trabalhadores, como sempre, serão sacrificados, para que os ricos se salvem. O dirigente do MST acusa o governo de se encontrar na defensiva, dentro do casulo do poder, sem coragem para convocar a sociedade ao debate. Sendo assim, Stédile sugere que as organizações populares promovam a discussão. Ele lembra que, tendo sido concebido antes da crise atual, o PAC deveria ser reformulado, a fim de corresponder às exigências do momento. Duvida que as grandes empreiteiras se interessem pela construção de moradias populares, que deixam pouca margem de lucro. A construção das moradias populares, para ele, deveria ser tarefa dos próprios trabalhadores, mediante pequenas cooperativas habitacionais e o sistema de mutirão.
É certo que uma coisa é a visão da crise do lado de fora do governo, e, outra, do gabinete presidencial. A reação dos comentaristas econômicos à decisão presidencial de determinar ao Banco do Brasil a redução do spread nas operações de empréstimo mostra que governar não é fácil. O Banco do Brasil, desde que se inaugurou, em 1808, tem sido o instrumento natural e necessário do governo a fim de realizar sua política financeira. Como em todas as sociedades anônimas – e o banco é uma sociedade anônima – cabe ao acionista majoritário estabelecer as normas de administração à diretoria executiva. O Banco do Brasil, com o poder de seus ativos, tem sido cobiçado pelo setor privado há anos. Um dos críticos mais ácidos da decisão de Lula é exatamente o senhor Maílson da Nóbrega que, quando ministro da Fazenda, pensava em privatizar a instituição. Se não fosse a resistência dos funcionários do banco – e de seu fundo de pensão – o governo Fernando Henrique o teria privatizado com prazer, provavelmente vendendo-o a alguma instituição estrangeira.
Como Hobsbawm, Stédile propõe uma terceira via, a da “alternativa popular”. A mobilização dos movimentos populares servirá de advertência ao Congresso Nacional, de que deve levar a sério a situação, e unir-se ao Poder Executivo na aprovação de medidas mais duras contra a especulação financeira. Os bancos – é outra observação de Stédile – reforçaram suas disponibilidades com a redução do compulsório e usaram os recursos para especular com títulos do governo – e ganhar ainda mais. Para eles vale a velha observação de que qualquer crise é sempre uma nova oportunidade.
Domingo, 12 de Abril de 2009

Falta alguém em Luxemburgo!

Quando presidente, o Farol de Alexandria não deixou a Polícia Federal apurar a denúncia de que Sérgio Mota havia aberto uma conta para ele, Fernando Henrique, José Serra e Mário Covas, em Luxemburgo. O administrador dessa conta seria Ricardo Sergio de Oliveira, aquele que tornou inesquecível o processo de privatização dos telefones, ao dizer para um ministro de Fernando Henrique que estava no limite da irresponsabilidade; que, se desse m…, estariam todos juntos; e onde Fernando Henrique aparece no telefone a participar da operação de venda das empresas estatais, como se fosse um corretor yuppie. Fernando Henrique tinha até um codinome na patranha: “Bomba Atômica”. Foi esse o momento Péricles de Atenas do Governo Fernando Henrique. O excelente livro de Leandro Fortes, “Cayman, o dossiê do medo” (Editora Record), mostra como Fernando Henrique conduziu a investigação para os pilantras que queriam ganhar uma grana com um suposto “dossiê” e afastou a Polícia Federal (o delegado Paulo Tarso Teixeira **) do centro da questão: a lavagem de dinheiro tucano. A última reunião do G20 decidiu abrir as contas secretas dos paraísos fiscais. Luxemburgo é alvo número um. Luxemburgo está no centro da Europa.
Tem a leis de sigilo bancário mais sofisticadas.
Não é à toa que Daniel Dantas (o “brilhante”, segundo Fernando Henrique), lavava dinheiro lá.
Falta alguém em Luxemburgo.
Paulo Henrique Amorim